Mais uma vez o Governo do Maranhão demonstra a
falta de compromisso com a educação pública de qualidade no estado, o que tem
resultado em baixos índices educacionais, em relação a outros estados do
Brasil.
Na última reunião entre o Sindicato dos
Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão (Sinproesemma) e o secretário de
Estado de Gestão e Previdência, Fábio Gondim, ocorrida na última
sexta-feira,16, o representante do governo resolveu adiar novamente o pagamento
dos direitos dos trabalhadores, que estava previsto para ser efetuado neste mês
de agosto.
De acordo com o
novo calendário apresentado pelo governo, neste mês, os educadores receberão os
salários reajustados, com a recomposição do Piso Nacional do Magistério, que
varia de 4% a 7,97%, e mais o retroativo referente ao mês de janeiro.
Já
o pagamento dos retroativos da recomposição, referente ao período de fevereiro
a julho, o governo informou que será escalonado até o mês de dezembro deste
ano. Sendo que no mês de setembro, será pago o retroativo de fevereiro; os de
março e abril serão pagos no mês de outubro; o retroativo de maio sairá no
salário de novembro; e os de junho e julho na folha de dezembro.
Quanto
às titulações e promoções, cujos pagamentos estavam previstos também para este
mês, o governo também não cumpre a palavra e alega que os processos ainda estão
em análise pela Secretaria de Estado de Gestão e Previdência (Segep). Diante
disso, Fábio Gondim disse ao presidente do Sinproesemma, Júlio Pinheiro, que os
pagamentos das titulações e promoções foram transferidos para o dia 10 de
setembro, em folha suplementar.
Os
educadores que tiverem seus pedidos indeferidos, seja por falta de
certificados, diplomas ou outros documentos, deverão procurar o setor de
recursos humanos da Seduc para regularizar a documentação e ter acesso ao
direito.
Júlio
Pinheiro rechaçou as justificativas do secretário para o não cumprimento dos
prazos definidos em mesa de negociação. “Havia um entendimento sobre a
concessão dos direitos para o mês de agosto, que deveria ser cumprido pelo
governo”, critica o sindicalista.
Na
opinião do dirigente, o fato de o governo não honrar os prazos assumidos com a
categoria demonstra, mais uma vez, a falta de compromisso com a educação
pública de qualidade e com a valorização dos profissionais. “A direção do
sindicato cobrou o cumprimento do acerto de pagamento das pendências em agosto
e agora, diante desse novo calendário, queremos garantias. Vamos dialogar com
outros representantes do governo, por meio de pedidos de audiências, para reforçar
essa cobrança. O governo do Estado precisa honrar seus compromissos”,
esclarece.
Contratos e horas extras
Outro
ponto que os dirigentes do Sinproesemma reivindicaram foi a regularização
salarial dos contratos precários e também das horas extras trabalhadas por
educadores que deveriam ser beneficiados com o direito da jornada extraclasse,
prevista na Lei do Piso. Os técnicos da Segep responsabilizaram a equipe da
Secretaria de Estado Educação (Seduc) pelos atrasos, porque não teriam
informado à Segep da lista de servidores que estão trabalhando nesses regimes,
o que inviabiliza, segundo Fábio Gondim, o pagamento dos trabalhadores.
Enquanto
uma secretaria joga para outra a responsabilidade pelo não pagamento, vários
professores continuam trabalhando de forma precária, sem direitos trabalhistas,
na rede pública estadual de educação, e sem, sequer, salários em dia. E outros
que aceitaram a proposta do governo de trocar a jornada extraclasse por
horas-extras também continuam trabalhando sem o devido pagamento das horas
adicionais.
Segundo
o presidente do Sinproesemma, Júlio Pinheiro, o papel do sindicato é continuar
cobrando o governo para que a situação seja resolvida e esperar para que o novo
calendário de pagamentos dos retroativos da recomposição sejam cumpridos.
“Seria o descrédito total para o governo, se novamente houver descumprimento de
compromissos assumidos com a educação”, ressalta.

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