Do Blog da
Silvia Tereza
Após a repercussão negativa da
manutenção do veto ao projeto de lei que previa punição, por meio do ICMS, às
empresas que adotassem a prática do trabalho escravo no Maranhão, o Palácio dos
Leões se movimentou para tentar amenizar alguma coisa para o lado da
governadora Roseana Sarney, responsabilizando, discretamente, a própria
Assembleia Legislativa que não levou em conta a PEC (Emenda à Constituição), já
aprovada, que acaba com a exclusividade do Estado para matérias de natureza
tributária.
O próprio veto e a manutenção dele
envergonham o Maranhão, um Estado que tem sido destaque negativo no assunto
“trabalho escravo” e onde os governantes nada fazem para mudar esse triste
quadro. Primeiro o governo e, segundo, a Assembleia Legislativa passaram uma
imagem negativa para o Brasil. O que dá a entender é que essas autoridades
pouco se importam em coibir a escravidão que, infelizmente, ainda existe por
aqui.
Só para citar um exemplo, em São
Paulo já vigora uma lei aos mesmos moldes da que foi recusada pelo governo
Roseana Sarney e pela Assembleia Legislativa. E em outros estados brasileiros,
propostas idênticas tramitam com amplas possibilidades de serem aprovadas. Mas
o Maranhão foi conduzido, por suas autoridades, a praticar o retrocesso de não
coibir o trabalho escravo.
Uma nota enviada pelo governo Roseana
Sarney ao Jornal Pequeno, publicada na edição desta quarta-feira (11), diz que
a governadora vetou o projeto contra o trabalho escravo, que já havia sido
aprovado por unanimidade pelo plenário, por se tratar de matéria tributária, o
que era vedado ao legislativo antes da PEC do deputado Max Barros (PMDB) que
alterou a Constituição e acabou com a exclusividade do Estado, abrindo a
prerrogativa à Assembleia Legislativa de apresentar proposições deste tipo.
Alega a nota que o veto de Roseana
Sarney foi anterior a essa PEC e deixa subentendido que, se houve erro, ele foi
do plenário da Assembleia Legislativa que não levou a modificação em conta para
derrubar a determinação do governo. E a casa parlamentar, leia-se aqui a base
governista, em sua maioria, não o fez, evidentemente, por subserviência a chefe
do Executivo.
Roseana alegou um problema técnico ou
a inconstitucionalidade da matéria, mas todos sabem que a questão mais
relevante para o veto foi o autor do projeto contra o trabalho escravo, o
deputado oposicionista Othelino Neto (sem partido), crítico combativo do
governo e que defende a alternância de poder no Estado.
No Maranhão, infelizmente, não se
leva em conta a importância de um projeto apresentado e, sim, de onde ou de
quem partiu a proposta. É lamentável, mas a prática ainda é essa!
Votaram pela manutenção do veto
e a favor do trabalho escravo
Antonio Pereira (DEM), Arnaldo Melo (PMDB), Camilo Figueiredo (PSD),
Rogério Cafeteira (PMN), Raimundo Louro (PR), Manoel Ribeiro (PTB), Jota Pinto
(PEN), Hélio Soares (PP), Francisca Primo (PT), Edilázio Jr (PV), César Pires
(DEM), Carlinhos Florêncio (PHS), Tatá Milhomem (PSD), Carlinhos Amorim
(PDT), Graça Paz (sem partido) e Rigo Teles (PV).

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