JP
O
plenário da Assembleia Legislativa manteve, ontem, o veto da governadora
Roseana Sarney ao projeto do deputado Othelino Neto que previa a cassação do
registro de ICMS de empresas flagradas com trabalho escravo. O parlamentar
lamentou a decisão e disse que, dessa forma, a Casa manda uma mensagem negativa
para o Estado e para o Brasil.
“Lamento que tenha sido mantida a decisão do
veto dado pela governadora a um projeto que está acima das diferenças
partidárias. Desta forma, a Assembleia manda uma mensagem negativa para o
Maranhão e para o Brasil. Perdemos a oportunidade de criar mais um obstáculo
legal para as empresas que insistem em se utilizar de mão-de-obra escrava,
prática que já deveria ter sido abolida há muito tempo. E o Maranhão ainda
figura entre os estados que aparecem com frequência em situações de trabalho
escravo”, disse Othelino Neto.
O projeto foi inspirado na lei
do deputado paulista Carlos Bezerra Jr., regulamentada pelo governador Geraldo
Alckmin, em maio passado. Propostas semelhantes já foram apresentadas nos
estados de Mato Grosso do Sul, Tocantins e Rio de Janeiro.
O veto foi publicado no dia
cinco de agosto, no Diário Oficial da Assembleia Legislativa, e, na sua
justificativa, a governadora alegou que o texto é inconstitucional com o artigo
43 da Constituição do Estado, que garantiria ao Poder Executivo exclusividade
para propor leis de natureza tributária, categoria na qual, no seu
entendimento, o projeto de lei estaria incluído. Porém, lembrou o autor da
proposição, essa exclusividade foi derrubada pela Casa em PEC do deputado Max
Barros.
PEC
derrubada –
Durante a defesa pela derrubada do veto, Othelino Neto, Rubens Jr. (PCdoB) e
Bira do Pindaré (PT) alegaram que, há menos de um mês, com base em projeto do
deputado Max Barros, a Assembleia Legislativa modificou a Constituição,
acabando com essa iniciativa exclusiva do Executivo de propor leis de natureza
tributária. Segundo o autor da proposta, o próprio Supremo Tribunal Federal, em
decisão, já havia considerado essa prerrogativa exclusiva dos poderes
executivos como inconstitucional.
“Sem
sentido” – O parlamentar
lembrou que o veto da governadora ao PL do deputado Othelino não faz sentido,
pois um projeto de emenda constitucional do deputado Max Barros foi aprovado e
modificou o artigo 43 da Constituição Estadual.
Portanto, a Casa Legislativa tem a competência de legislar sobre
matéria tributária, fato que derruba a argumentação do veto inicial. Bira
destacou o fato de o Maranhão ser o maior exportador de mão de obra escrava do
Brasil e a aprovação de um PL desta natureza contribuiria no processo de erradicação
da escravidão no estado. Com relação às empresas, o parlamentar ressaltou que
elas terão que se regularizar para garantir a comercialização de seus produtos.
Veto
anterior – Em
nota, a Secretaria de Estado da Comunicação informou que a governadora Roseana
Sarney, no texto enviado à Assembleia Legislativa, reconhece a importância da
proposta e esclarece que decidiu pelo veto por ter teor inconstitucional.
Esclarece, ainda, que a decisão da governadora é anterior à aprovação pela AL
de proposta que modificou o texto da Constituição sobre o tema.

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