Por Flávio Dino (Presidente da Embratur)
No
último domingo, falei aqui sobre a urgência de medidas que melhorem a qualidade
de vida dos maranhenses, elevando nosso posicionamento no ranking brasileiro do
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Lá, figuramos nos últimos lugares há
décadas. Outros estados nordestinos têm melhorado a situação de suas populações
nos últimos anos, melhorando seu posicionamento. Nós, no entanto, mesmo com o
gigantesco aporte de recursos federais, não temos conseguido evoluir. Uma
situação, aparentemente, de difícil solução.
Pois a notícia que
tomou conta dos jornais, blogs, rádios e tevês nesta semana mostra que, sim, há
muitos recursos disponíveis para melhorar a situação de nosso estado. Como todo
o Maranhão sabe, o Procurador Geral da República deu parecer pela cassação da
governadora Roseana Sarney Murad. Se alguém podia pensar que não há dinheiro
público disponível para melhorar as condições de vida dos quase 7 milhões de
maranhenses, o Procurador Geral da República mostra para onde estão indo os
recursos que deveriam estar sendo usados para promover o desenvolvimento
econômico e a justiça social: para montar uma máquina que não governa, apenas
se empenha em vencer a eleição seguinte para manter sua fortuna e seu
privilégios. Com efeito, o Chefe do Ministério Público afirma que, às vésperas
da eleição de 2010, os “numerosos convênios chamam a atenção, tanto pela pressa
com que eram realizados como pelo volume dos repasses”.
“Os convênios eram
realizados em tempo recorde: no prazo de dois dias, eles eram assinados,
publicados no órgão oficial e o dinheiro creditado na conta do município, cujos
saques, de acordo com notícia nos autos, eram feitos em espécie, diretamente na
boca do caixa”, diz o Procurador Geral da República. “À medida que se aproximava
a data da escolha dos candidatos no mês de junho, o governo ampliava a
celebração dos convênios e o repasse aos municípios, associações e entidades
privadas”, alerta o Ministério Público.
O
valor total das ilegalidades e imoralidades impressiona qualquer um: 400
MILHÕES DE REAIS.
Por
que tantos recursos que faltam à garantia de direitos da população ou que se
arrastam meses para chegar a quem realmente precisa, chegaram tão rapidamente
aos protegidos da oligarquia, justamente no período da convenção partidária da
governadora? Na própria defesa que apresentou, a governadora admite que, ao
longo de todo o ano de 2009 não foi firmado nenhum convênio com nenhuma
prefeitura! E por que deixar quase todos para serem firmados no mês – e nos
dias – da definição dos candidatos? Para o Procurador Geral da República, havia
um “objetivo claro e imediato: interferir no processo eleitoral em curso e
beneficiar as candidaturas” (da oligarquia).
“Pode-se
afirmar com segurança que houve abuso do poder econômico e político apto a
comprometer a legitimidade da eleição e o equilíbrio da disputa”, diz o
Ministério Público. A oligarquia apostou na impunidade. O tempo passou e,
agora, vemos que não é possível ocultar para sempre os fatos. O Tribunal
Superior Eleitoral julgará os abusos ocorridos naquela eleição. E o povo
maranhense, no ano que vem, julgará esses fatos e, principalmente, os
resultados terríveis dessa longa noite que se arrasta por 50 anos.
O
Procurador Geral da República, após um longo relato de um narrador impressionado
com os fatos que foram colocados diante de si, conclui: “Na realidade, o
repasse de recursos dos convênios foi determinante não somente na obtenção de
apoio político, mas também na vitória dos recorridos nas urnas” (a governadora
Roseana Sarney).
400
MILHÕES DE REAIS… Realmente, fica fácil compreender como um Estado tão belo,
rico e bom, acaba condenado a ter os piores indicadores sociais do Brasil. Mas
isso está perto do fim.

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